Crônica – Uma escolha equivocada

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UMA ESCOLHA EQUIVOCADA

(Anônimo)

Que me desculpem os matemáticos, a alguns dos quais devo muito do pouco que conheço sobre essa ciência, mas na minha opinião um termo específico deveria ter recebido outro nome: a diferença.

Não é difícil entender o conceito de subtração, algo como retirar, diminuir o todo em uma parte. Difícil, pra mim, é achar um nome que substitua de maneira mais adequada o termo “diferença”.

É difícil, para mim, adequar o referente ao referido, nesse caso, pois carrego um conceito diferente sobre “diferença”: ao invés de subtrair, ela sempre soma. Pensemos em todas as vezes em que algo diferente (inicialmente tido por estranho) nos cruzou a frente. A diferença inquieta, aflige, conflitua o nosso “eu”. Porém, por mais aflitos e inquietos que estejamos, sempre saímos com mais desse contato do que quando entramos. A diferença nos leva a pensar, a refletir, a estabelecer novas conexões neuronais, a remodelar padrões, a romper paradigmas morais, emocionais, familiares, sociais, sexuais, etc. Honestamente não entendo como podemos designar algo que diminui pelo nome de algo que sempre acrescenta.

E como seria chato se não houvesse diferenças pelos mundo! Dias sem variedade de formas, cores, aromas, sabores. Sem contar na fuga ao aspecto único do ser humano. A uniformização de qualquer característica humana vai contra um dos princípios que nos permitiu dominar o meio em que vivemos: a flexibilidade ante a situações diversas.

Por que então não aprendemos o que podemos somar com as diferenças que nos permeiam, ao invés de tentarmos adotar sempre um único modelo invariável? Por que não aprendemos que diferenças, embora incômodas a princípio, instigam-nos a crescer? Por que não ensinamos às nossas crianças que diferença, ao contrário do que lhes possa ter sido ensinado, não diminui, mas agrega?

Como já dito, tenho dificuldades em achar um nome substituto para o termo matemático consagrado que consiga atender às definições da ciência exata. “Falta”, “débito”, “ausência”, “lapso” são meras sugestões, as quais facilmente superadas. Mas não chamem de “diferença”, algo que a vida me ensinou que só vem pra somar.

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