Crônica – Sobre férias, caminhos e torturas

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SOBRE FÉRIAS, CAMINHOS E TORTURAS

(Anônimo)

É curioso como duas breves semanas de férias causam grande inquietação na alma. Isto porque, em aulas, temos nossas mentes sempre ocupadas com aulas e provas e matérias e nomes para decorar, restando, assim, pouco tempo para que reflitamos sobre nós mesmos. Ligamos o piloto automático para o resto.

No entanto, assim que nos desfazemos dessas ocupações, deparamo-nos com algo muito mais complexo de se lidar: nós mesmos. Porque, não sei quanto a vocês, mas eu me considero muito mais complexo de lidar e entender do que qualquer unidade curricular. E aqui estou, às 04:27 de uma madrugada qualquer, tentando me compreender. Analisando todas as possibilidades que tenho na vida e me perguntando o porquê de eu, ainda assim, sempre escolher a mesma opção. Em um caminho com infinitas bifurcações, trifurcações, petafurcações, enfim, n-furcações, eu sempre escolho a mesma estrada.

Fico refletindo sobre todas as oportunidades perdidas, as vivências perdidas. Muitas, muitíssimas, sem dúvida. Considerando a vida como um percurso sem volta, enxergo que minha infância, minha puberdade e minha adolescência foram atiradas no lixo. Talvez tenha sido graças ao desperdício desses 10 anos da minha vida que eu tenha conseguido entrar tão cedo na faculdade. Mas não. Isso é apenas uma desculpa. Minhas escolhas sempre foram erradas, nunca dependeram do estudo. Sempre tive a oportunidade de ter uma vida social decente e estudar ao mesmo tempo. Teria conseguido entrar na faculdade da mesma forma. O limitante para minha inserção social sempre fui eu. Mas por quê? Medo? Talvez. Provável. Inadequação social? Outro fator contribuinte. Em fato, não penso muito como a maioria dos meus colegas de turma e curso. Não sei mais como desenvolver esse lado do assunto. Beco sem saída na minha mente. Como disse, eu sou mais complexo que qualquer disciplina.

Se não me adequo à maioria, poderia me adequar à minoria. Possível. Realizo, dentro do possível. Mas algo me incomoda. Quando vejo os outros, aquela maioria na qual não me encaixo, incomodo-me. Há algo neles que desejo, mas não sei bem o quê. Acredito que seja justamente o fato de não levarem a vida tão duramente como eu. Não se martirizarem tanto. Não tornarem a vida um fardo maior do que já é.

Em verdade, gostaria de corrigir o início desse texto. Disse que quando entrAMOS em férias, começAMOS a pensar em NÓS mesmoS, o que se mostra difícil. Corrigindo: quando entrO de férias, começO a pensar em MIM mesmo, o que se mostra difícil e TORTURANTE. Nunca chego a lugar algum, apenas remexo a ferida que está e estará sempre aberta em mim. Pelo menos até que eu consiga mudar de estrada, se eu algum dia conseguir fazê-lo, para evitar que também a vida acadêmica, a adultidade e todo o resto da minha vida sejam tão patéticos quanto ela foi até agora.

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