POEMA – TRANSPORTE PÚBLICO

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TRANSPORTE PÚBLICO

(por G. T.)

Está em pé, no metrô, inacessível, resguardado por sua barba.
Coração de pedra, mas de pedra mole.
Há muita gente ao seu redor,
Com diversas histórias,
Mas a única vida que importa no momento é a dele.
Fechado,
Inacessível,
Chora por dentro enquanto escuta Alceu,
Pensando na belle de uma tarde que nunca chega.

Já é tarde.
É tarde na sua alma.
É tarde para os desejos e sonhos infactíveis?
Nada importa agora e a alma ainda chora por dentro
(cada vez mais sensível).
Alguns disseram que é seu ascendente.
Outros, que é a sua inabilidade para amar que o faz constrito.
Distante,
Ele não pode escutar ninguém,
Nem nada do que falam,
Nem o que pensam.
E pensa nos amores que ficaram, pensa na casa que ficou e tem saudade de sua avó que deixou de ficar.A vontade de beber café chega – se repentina ou paulatinamente, ele não sabe.
Perplexo,
Se dá conta de que há muito ainda a ser feito,
E conta os planos pro mundo,
E conta outra vez as pessoas
E lembra que são muitas. Ele para.
Neste momento, suas vontades não são mais importantes
Que a fome do garoto olhando os doces na vitrine
Ou que a urgência gritada pela sirene distante
Ou que os sorrisos das mulheres que ele ama.Ainda há muita gente.
Inacessível,
Reflexivo,
Olha pra rua
E repara em sua beleza.
Sente que o mundo também é bom.
Num acesso de alma,
Sua barba deixa de ser escudo
E ele finalmente consegue sorrir.

 

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