Arquivo da categoria: Espaço Cultura DCC

Coletânea de Obras – Espaço Cultura DCC 2016

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[CRÔNICA] – Crônica em Versos

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Crônica em Versos

(por Anoninus Anônimo)

Umas noites atrás, senti que eu estava morrendo.
Acordei no escuro. Nada parecia errado e eu só tinha que voltar a dormir.
Foi quando aconteceu.
De repente, senti meu coração bater mais rápido. Ele bateu com mais força também. Até dor eu senti.
Eu também senti dúvida.
Não havia motivo nenhum para aquilo.
Eu não estava assustado, não estava suado ou preocupado. Não havia nada de errado.
Ainda assim, por algum motivo, meu coração resolveu me acordar no meio da noite para me fazer sentí-lo bater. Continuar lendo [CRÔNICA] – Crônica em Versos

[CONTO] – Série de Contos – I

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Série de Contos
 I

(por Anoninus Anônimo)

“Nunca gostei de fazer malas. Há algo em planejar-me com antecedência que não me agrada; o quê, exatamente, eu não sei. É apenas um sentimento estranho, sem motivo.

Foi com esse desconforto sem razão de ser que eu arrumei as malas para voltar à cidade onde fiz a faculdade aquela noite. Eu chamaria um táxi dali algumas horas e estaria na ferroviária bem cedo para tomar o primeiro comboio que houvesse. Nesse meio tempo, tentei dormir. Sem sucesso.

Não conseguia tirar o e-mail da cabeça. Repassava frase a frase em pensamento alerta, daqueles não dá sinal de desacelerar e permitir que eu dormisse. Depois de quarenta minutos, desisti do sono e sentei na cama. Se eu não ia dormir, melhor que usasse aquele tempo para alguma coisa além de me revirar nos cobertores.

“Tenho que pensar em como manejar a menina”, não pensei. Apenas senti, ou tive a impressão de sentir.

Antes, eu jamais me preocuparia com isso. Apenas teria minha reação mais espontânea, sem me ocupar com que efeito isso teria na pessoa que me pedia ajuda. Prepotência de adolescente.

Hoje, não sei se consigo ter uma conversa espontânea com alguém. Todas as interações têm de ser cuidadosamente pensadas para terem exatamente o efeito esperado. No mundo dos adultos, mal-entendidos não são aceitáveis.

Esse mal-hábito estava afetando inclusive a maneira como eu lidava com o serviço que ofereci tão bem e por tanto tempo durante a faculdade. Eu havia de suprimi-lo. Falhei.

Ou o hábito era muito forte, ou eu realmente queria lidar com esta menina com mais cautela. Mas por quê? O motivo não estava claro, nem dava sinal de clarear.

Tudo acima ocorreu no intervalo de sentar-me na cama e sair dela, andar três passos e sentar-me de frente ao computador. Tivera uma ideia. Abri meu antigo servidor de e-mail e tentei incansavelmente lembrar a senha.

Depois de muito tempo vasculhando, cheguei aos e-mails daqueles que haviam pedido minha ajuda para morrer. Não tinha tempo de lê-los todos no ato, por isso fiz o download. Ia lê-los durante a viagem.

Depois de todos esses anos evitando aquelas memórias todas. Depois de ser puxado de supetão de volta para minha época de faculdade. Eu precisava rever aquilo tudo.

Precisava convencer-me de que não estava imaginando coisas.”

[POEMA] – Como Conseguem?

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Como conseguem?

(por Tars)

Atualmente tenho me sentido deslocado,
Como se eu não fizesse parte desse planeta,
Como se eu não fizesse parte dessa espécie.
Juro que já tentei seguir o “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”
Mas algo dentro de mim me impede de compartilhar dos mesmos sentimento de vocês
Dessa alegria
Dessa felicidade
Dessa euforia
Dessa certeza
Dessa paz
Desse sentimento de vitória
Que vocês esbanjam a cada nova notícia na internet e televisão
Por isso eu lhes pergunto:
Como conseguem? Continuar lendo [POEMA] – Como Conseguem?

[CONTO] – Série de Contos – Prólogo

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Série de Contos
Prólogo

(por Anoninus Anônimo)

Durante a faculdade, eu ajudava pessoas a morrer.
Elas vinham até mim, falavam o que as levava ao suicídio e eu então fornecia o método mais adequado para cada uma. Nunca, no entanto, eu matei alguém. Eu apenas fazia as vezes de suas consciências, contava-lhes qual a morte mais adequada aos seus sofrimentos. Era dever do suicida dar cabo à própria vida.

Continuar lendo [CONTO] – Série de Contos – Prólogo

CONTO – “A pergunta”

espaco-culturaA pergunta

(Anoninus Anônimo)

O analista e o paciente estavam sentados no consultório. Idos quarenta minutos de sessão, o paciente começou com a conversa:

– Tem uma pergunta que eu quero que você me faça.
– Oi?
– Isso mesmo. Tem uma pergunta. Eu já pensei muito nela, já sei a resposta dela, mas eu quero que você me pergunte.
– Qual é a pergunta?
– Eu não vou te falar. Eu quero que você me pergunte da sua cabeça, não da minha.
– Por quê? Continuar lendo CONTO – “A pergunta”

[Conto] – About Time

About Time

(Matheus Martins)

“Call no man happy until he is dead”
— Herodotus

The rooster cried at 11p.m. It’s still unclear if it, by any chance, could see the dawn way ahead, was a bit delayed or even if it was considering somewhere else’s dawn as its referential — dawn is, after all, a matter of location as much as it is a matter of time, though we often let that slip. What is certain — among so many other things, but in this subject somewhat more relevant — is that it felt like doing it: any reason beyond that one may keep our minds busy, but are as empty a reflection as why its female counterpart decided to cross the road (after all, reasons whatsoever they might be, it changes nothing about the fact that it is no longer at this side of the road or that your attempt to sleep was disturbed).  Continuar lendo [Conto] – About Time

Conto – Inércia

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Inércia

(Mariana Kurowski)

Pense em um lago, e atrás dele, um céu. Pense em seus olhos, por baixo d’água, mirando o céu. Pense no peso do ar, no peso da água, que espremem a mente, confusa e agitada. Pense na força que ergue, nos pés que se movem, nos braços que impulsionam, na vontade de subir, e emergir. Pense no conflito, na luta, no nado esforçado e na chegada à superfície. Na superfície, o engano: não está mais perto, está mais longe. É lá que está a inércia. É lá que a mente cai na armadilha, que todos os seus fluxos de problemáticas se misturam com a superfície, e nela, tornam-se rasos, desconexos, fugidios, conflitantes e vazios. Continuar lendo Conto – Inércia